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Três mil e quinhentos cliques depois

(Pya Lima, de Pequim) Na capital do império do meio, a unanimidade dos olhos puxados raramente é quebrada. Eu não contribuí para isso, afinal, descendo de japoneses, mas o editor, Rodrigo Manzano, foi um contraste ambulante durante todo o tempo. Não apenas pelos olhos ocidentais, mas por medir o dobro da estatura média nacional e ter muito, mas muito mais pelos que os pequineses. Nosso homem das neves tropical recebeu inúmeros pedidos para ser fotografado. Tenho, pelo menos, uma dúzia de provas irrefutáveis que registraram o exato momento.

Aos fotógrafos, amadores ou não, recomendo que evitem piscar na China. Uma fração de segundo é tempo suficiente para que tudo se transforme. Para os olhos de quem fotografa, tamanha velocidade é misto de frenesi, agonia e deleite. Frenesi pelas possibilidades, agonia pelas imagens perdidas e deleite pelas capturadas. Temperaturas de até dezoito graus negativos, além do meu dedo indicador direito, congelaram três mil e quinhentos instantes eternizados em pixels.

O orgulho de pais e mães chinesas ao verem seus filhos fotografados por uma laowai (estrangeira) é impagável. Por outro lado, idosos são refratários à máquina. Executivos locais, como no Brasil, também se sentem reféns de quem os fotografa. Uma de nossas entrevistadas, da China National Radio, cochichou ao pé do meu ouvido: “Sempre trato bem os fotógrafos, quero sair bem na foto. Você percebeu que eu não parei de sorrir pra você nem por um instante?”. Concordei sem pestanejar. No mais, a Grande Muralha sempre estará à disposição de quem quiser clicá-la.

Deixo Beijing sem querer deixar, já com saudades daqueles que, além de imprimir, também plastificam a foto tirada na Praça da Paz Celestial em frente à Cidade Proibida. Manzano e eu nos rendemos, pagamos 10 yuans (aproximadamente R$ 2,50) pela nossa e revelamos, agora só falta plastificar.

Uma resposta para “Três mil e quinhentos cliques depois”

  1. Caião disse:

    Pya e Rodrigo,

    Ler este post seu, me fez voltar 12 anos no meu tempo…

    O desenvolvimento econômico pode ter tornado a China um país mais rico, mas as percepções dos que vão visitá-la e daqueles que nos recebem continuam a mesma!

    Tive experiências muito parecidas!

    Sds,

    Caião

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Equipe

Rodrigo Manzano é jornalista e Diretor Editorial da IMPRENSA, onde atua desde 2001. É também professor de graduação e pós-graduação de Jornalismo em São Paulo.

Pya Lima é fotógrafa desde 2000 e colaboradora da Revista IMPRENSA desde 2007. Já atuou em fotografia de cinema, artes cênicas e espetáculos musicais.

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