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	<title>No meio do Império do Meio</title>
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	<description>Jornalismo e comunicação na nova China</description>
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		<title>Leia a íntegra das reportagens publicadas pela IMPRENSA</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 02:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[De março a julho, a Revista IMPRENSA publicou sua série especial de reportagens sobre a mídia, o jornalismo e a comunicação na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De março a julho, a Revista IMPRENSA publicou sua série especial de reportagens sobre a mídia, o jornalismo e a comunicação na China. Leia, abaixo, a íntegra das reportagens.</p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>Março, 2010: Cobrir e descobrir</strong></span></h2>
<p>Integrar os valores do mundo contemporâneo – imprensa livre, inclusive – e manter a estabilidade política e o desenvolvimento econômico são os desafios da China após seis décadas da Fundação da República Popular, em 1949. O que se vê é um país em reconstrução: entenda como o jornalismo e a comunicação acompanham esse processo.</p>
<p>Faça o download da matéria <a title="Cobrir e descobrir" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/254_especial_china.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>Abril, 2010: Uma muralha on-line</strong></span></h2>
<p>Contenda entre Google e Pequim revela o papel da internet no processo de modernização e abertura da China e as dificuldades do governo em entender e aceitar plenamente a liberdade individual de expressão, apesar dos avanços internos.</p>
<p>Faça o download da matéria <a title="Uma muralha on-line" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/255_especial_china.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>Maio, 2010: Em cores e movimento</strong></span></h2>
<p>Desenvolvimento econômico leva televisão chinesa à autonomia financeira e à  competitividade. Na terceira parte de nosso especial sobre a comunicação na China,investigamos a estatal CCTV, maior emissora do país, que amplia programação, aproxima-se dos telespectadores, investe na internet e prevê expansão no Brasil.</p>
<p>Faça o download da matéria <a title="Em cores e movimento" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/256_especial_china.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>Junho, 2010: Além do muro</strong></span></h2>
<p>Maior parceiro comercial do Brasil no mundo, a China agora tenta estreitar as relações na área de comunicação. A nova face do Império do Meio no mundo e sua atuação no Brasil é o tema da quarta reportagem da série especial de IMPRENSA.</p>
<p>Faça o download da matéria <a title="Além do muro" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/257_especial_china.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>Julho, 2010: À sombra do passado</strong></span></h2>
<p>Apesar dos avanços e de relativa abertura ao trabalho da mídia estrangeira, correspondentes e enviados à China podem enfrentar a herança de tempos mais difíceis. Eis a última reportagem da série de IMPRENSA.</p>
<p>Faça o download da matéria <a title="À sombra do passado" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/258_especial_china.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Brasil em Pequim: a visão dos correspondentes</title>
		<link>http://www.imperiodomeio.com.br/geral/brasil-em-pequim-a-visao-dos-correspondentes/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 02:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[IMPRENSA perguntou a três correspondentes brasileiros que atuam ou atuaram em Pequim sobre suas experiências e opiniões a respeito do trabalho como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>IMPRENSA perguntou a três correspondentes brasileiros que atuam ou atuaram em Pequim sobre suas experiências e opiniões a respeito do trabalho como jornalistas na China e em relação às tentativas de abertura e flexibilização do acesso as fontes e da liberdade de imprensa. </strong></p>
<h2 style="text-align: left;"><span style="color: #808080;"><strong>“A mão que abre fecha muito rápido”</strong></span></h2>
<p><span style="color: #808080;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p>A repórter da TV Globo <strong>Sonia Bridi</strong> viveu dois anos em Pequim com seu marido, o cinegrafista Paulo Zero, e escreveu o livro “Laowai” (Ed. Letras Brasileiras). Antes disso, elaborou uma grande reportagem veiculada no “Globo Repórter”, em 2004, o que, de certo modo, abriu a grande pauta do jornalismo brasileiro para as questões chinesas contemporâneas. Ao longo de dois anos, sua relação variou entre a paixão pelo país e a fúria de quem não encontrou na China as mesmas condições de trabalho encontradas no Brasil, por exemplo.  Seu livro é um relato apaixonado e crítico sobre a realidade chinesa e um bom ponto de partida para quem deseja atuar no país, seja como correspondente, seja como enviado especial. À IMPRENSA, Sonia respondeu as seguintes perguntas:</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Quais foram os aspectos positivos e negativos do trabalho como correspondente em Pequim e o quanto sua percepção do que seria a atividade jornalística mudou, quando confrontada com a realidade chinesa? </strong></p>
<p><strong>Sonia Bridi -</strong> Acho que o aspecto mais positivo foi ter botado a China na roda. Explico: quando fiz um “Globo Repórter”, em 2004, as pessoas me olhavam com cara de incredulidade, que aquilo tudo não poderia ser verdade, tanto crescimento econômico, tanta coisa acontecendo. O mundo já tinha acordado para a China. Nós, não. Então a China estar no “JN” e no “Fantástico”, enfim, em todos os telejornais, foi fundamental para que o Brasil começasse  a entender que não era um fenômeno passageiro, mas uma mudança no equilíbrio de poder mundial que se configurava.</p>
<p>Exercer essa atividade já foi outra coisa. Por um lado, um imenso prazer de reportar coisas que eu nunca tinha visto, nem ouvido falar. Por outro, a frustração, minha companheira constante na China. Não ter acesso ás fontes, não conseguir atravessar o muro da censura, é terrível. Eu sabia que seria duro. Mas algumas experiências, como a transmissão ao vivo do templo do Céu, me mostraram que não adianta o governo central mudar diretrizes. O poder do pequeno burocrata, do chefete, é a base da sustentação do regime. E esses caras mudam só quando lhes convém, não quando o Wen Jia Bao [primeiro-ministro chinês]ou o Hu Jintao [presidente da Republica Popular da China] decidem.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Você viu progressos no tratamento aos jornalistas durante o período? Acredita que o desenvolvimento econômico terá impacto sobre o ambiente político e na abertura de informações e do Estado à imprensa?</strong></p>
<p><strong>Sonia -</strong> O comportamento deles com relação à imprensa muda de acordo com os interesses imediatos. Se eles querem suavizar para receber a visita do Bush, suavizam. Para não fazer tão feio na Olimpíada, abrem. Mas a essência é a mesma, e a mão que abre fecha muito rápido. E não, não acredito que o desenvolvimento econômico sozinho trará abertura. Pelo contrário: todos os que estão lucrando – e aí está a maior parte da população chinesa, se você pensar que nos últimos 30 anos a China viveu o maior caso de ascensão social da história – defendem o regime, dão sustentação a ele, preferem não mexer em time que cresce dois dígitos por ano. Não podemos esquecer que muitos estudantes de Tiananmen [episódio envolvendo os manifestantes da Praça da Paz Celestial, em 1989], os que sobreviveram à carnificina, hoje são defensores ferrenhos do regime.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Qual foi sua maior dificuldade como jornalista?</strong></p>
<p><strong>Sonia -</strong> A maior dificuldade é o acesso às fontes. As pessoas têm medo de falar. Elas têm pavor de falar. Porque sabem das consequências. Quando o medo domina uma sociedade, o jornalista é visto como inimigo, inclusive pelos oprimidos. É compreensível, quando a gente acompanha a realidade deles por algum tempo. Ninguém que abriu a boca e expôs os problemas, seja de administrações regionais ou central, ficou impune. No meu livro conto as histórias do militante cego que passou de exemplo nacional a presidiário maltratado, do Fu Xien Cai, um agricultor que denunciou o roubo das indenizações do projeto Três Gargantas. São milhares de exemplos. O jornalista não é punido nem censurado diretamente, pelo menos não o correspondente estrangeiro. Mas quem fala com ele paga caro.</p>
<h2 style="text-align: left;"><span style="color: #808080;"><strong>“O governo chinês tem imensa dificuldade em receber críticas”</strong></span></h2>
<p><span style="color: #808080;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><strong>Claudia Trevisan</strong> é a correspondente brasileira em atividade na China com mais experiência acumulada.  Claudia já foi correspondente da <em>Folha</em> em Pequim entre 2004 e 2005, escreveu dois livros sobre a experiência (“China, o renascimento do império”, Editora Planeta e “Os Chineses”, Editora Contexto) e hoje é correspondente pelo <em>Estadão</em>, desde 2008. Para ela, apesar dos jornalistas estrangeiros serem beneficiados com mais abertura e liberdade em comparação aos profissionais chineses, ainda assim há dificuldades e tentativas de cerceamento do trabalho da imprensa, “o que se faz normalmente de maneira direta ou por meio do ataque a assistentes chineses contratados pelos correspondentes”, relata.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Quais têm sido os aspectos positivos e negativos do trabalho como correspondente em Pequim e o quanto sua percepção do que seria a atividade jornalística mudou, quando confrontada com a realidade chinesa? </strong></p>
<p><strong>Claudia Trevisan – </strong>A primeira distinção que temos que fazer é entre jornalistas estrangeiros e chineses, que experimentam realidades radicalmente distintas. Os correspondentes possuem liberdade muito maior que seus colegas locais, submetidos à estrita censura do Partido Comunista. Mas isso não significa que estejam livres de intimidação, o que se faz normalmente de maneira direta ou por meio do ataque a assistentes chineses contratados pelos correspondentes. O caso clássico é o do jornalista Zhao Yan, que trabalhava para o <em>New York Times </em>quando foi preso, em setembro de 2004, sob a acusação de entregar segredo de Estado a estrangeiros. A detenção ocorreu logo depois que o jornal norte-americano deu um furo de reportagem sobre mudanças na liderança comunista. O <em>NYT</em> afirma que Zhao não teve nenhuma participação na apuração da reportagem. O jornalista permaneceu três anos na prisão. O Foreign Correspondents´ Club of China (FCCC) relata uma série de casos de tentativa de intimidação de chineses que trabalham para veículos de outros países. Também há inúmeros relatos de interferência direta na atuação dos correspondentes que ficam impedidos ou enfrentam dificuldades no desenvolvimento de seu trabalho. A relação dos casos de interferência pode ser vista no site do FCCC: http://www.fccchina.org/category/incident-reports/</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Você viu progressos no tratamento aos jornalistas durante o período?</strong></p>
<p><strong>Claudia Trevisan – </strong>A relação entre as autoridades chinesas e jornalistas evolui de maneira extremamente contraditória e errática. A Olimpíada de 2008 trouxe um avanço que foi a permissão para que correspondentes viajem a qualquer lugar do país, com exceção do Tibete, sem ter que pedir autorização prévia de autoridades locais. Mas a aplicação da regra é irregular e depende do grau de sensibilidade política do assunto envolvido. Apesar de estar em uma área “livre”, a cidade muçulmana de Kashgar, em Xinjiang, passou a ser território proibido desde que jornalistas começaram a relatar a destruição de seu centro histórico pelas autoridades chinesas. Muitos dos correspondentes que tentaram ir ao local nos últimos meses foram “deportados” a Pequim assim que chegaram ao aeroporto. Outros nem conseguiam embarcar. O mesmo aconteceu em Sichuan, área do terremoto devastador de 2008.</p>
<p>Ao mesmo tempo, há progressos e o mais visível foi a cobertura dos confrontos entre chineses da etnia han e muçulmanos uigures em Urumqi, capital de Xinjiang, em julho de 2009. As autoridades de Pequim permitiram o acesso irrestrito de jornalistas ao local e criaram um centro de imprensa com conexão à internet, que havia sido totalmente bloqueada na cidade. Foi uma posição distinta da adotada nos conflitos registrados no Tibete em março de 2008. Dias depois dos choques, o governo chinês fechou a região aos jornalistas estrangeiros, medida que continua em vigor até hoje.</p>
<p><strong>IMPRENSA – Acredita que o desenvolvimento econômico terá impacto sobre o ambiente político e na abertura de informações e do Estado à imprensa?</strong></p>
<p><strong>Claudia Trevisan – </strong>A ideia de que a adoção da economia de mercado e a integração da China ao mundo levariam inevitavelmente à democratização do país é vista com ceticismo crescente. Os dirigentes chineses repetem à exaustão que o modelo político ocidental não se adequa a seu país e afirmam buscar sua própria forma de democracia. Não há nenhum projeto do Partido Comunista de partilhar seu poder. Mas há a preocupação em aperfeiçoar os mecanismos de “democracia interna” da instituição, com maior participação popular em suas decisões. O grande problema é que essa “democracia” tem baixíssima tolerância à crítica e à dissidência, o que ameaça a existência de minorias políticas no país. A menos que aconteça uma catástrofe econômica inesperada, o cenário mais provável é a manutenção do Partido Comunista no poder por algumas décadas.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Qual foi sua maior dificuldade como jornalista?</strong></p>
<p><strong>Claudia Trevisan – </strong>O acesso a fontes oficiais e a dirigentes das poderosas empresas estatais.</p>
<p><strong>IMPRENSA- A que você atribui uma imagem tão distorcida em alguns aspectos, sobre a realidade chinesa, ao redor do mundo. Existe, no seu ponto de vista, conforme me falaram várias fontes do Governo, uma falta de vontade em entender de fato uma realidade política, econômica e social tão diversa da ocidental ou os chineses se queixam porque controlam a mídia chinesa mas não conseguem controlar o conteúdo ao redor do mundo?</strong></p>
<p><strong>Claudia Trevisan – </strong>O governo chinês tem imensa dificuldade em receber críticas e costuma responder com o bordão de que seus detratores ignoram a realidade de seu país. É um argumento que tenta desclassificar os autores das críticas, mas não rebate sua substância. Também implica uma visão distorcida do papel da imprensa, no qual a crítica é um elemento central. A chamada “imprensa ocidental” não questiona apenas as autoridades de Pequim, mas seus próprios governos, muitas vezes com uma contundência que valeriam alguns anos de prisão na China. No país asiático, os veículos de comunicação são subordinados ao Partido Comunista, que atribui a si a responsabilidade de “guiar” a opinião pública do país – o que quase sempre implica adequá-la aos seus interesses.</p>
<p>Não vejo em que o conhecimento em detalhes dos 5.000 anos de civilização chinesa ou das obras completas de Confúcio mudariam a posição de um jornalista em relação a fatos como o julgamento do dissidente Liu Xiabo, condenado a 11 anos de prisão em dezembro de 2009 sob a acusação de “incitar a subversão”, em um processo de forte conotação política. Seu crime foi advogar reformas democráticas e assinar a Charter 8, um documento que defende o pluripartidarismo, o império da lei, a liberdade de expressão e eleições livres.</p>
<h2><span style="color: #808080;"><strong>“Essa aventura jornalística foi um aprendizado extraordinário”</strong></span></h2>
<p><span style="color: #808080;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p>O jornalista <strong>Jayme Martins</strong> é um veterano em assuntos chineses. Foi, durante muitas décadas, a única presença brasileira em território chinês, como correspondente do jornal <em>O Estado de S. Paulo</em>, da rádio Jovem Pan, do Grupo RBS e como funcionário da Rádio Pequim, hoje China Radio International, emissora estatal que propaga noticiário em dezenas de idiomas. Martins viveu dias mais tensos em Pequim e cobriu os incidentes da Praça da Paz Celestial, em 1989, pela qual ganhou o Prêmio Líbero Badaró, promovido pela Revista IMPRENSA e sobre os quais fala em entrevista.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; A que o senhor credita ser tão negativa a imagem da China ao redor do mundo, no que se refere ao trabalho dos jornalistas e a liberdade de imprensa?</strong></p>
<p><strong>Jayme Martins – </strong>Em parte, por culpa das partes chinesas, pouco acostumadas ao trato com jornalistas estrangeiros, sendo isso uma das decorrências do fato de ser a China um País que, saindo de uma situação semifeudal e semicolonial, partiu diretamente para uma experiência dita socialista, sem haver vivenciado as liberdades próprias de uma sociedade capitalista. Por outro lado, é preciso considerar também a inabilidade de muitos jornalistas estrangeiros no trato com as partes chinesas, por ignorarem a realidade econômico-social e político-cultural desse País, além de as entrevistas se processarem através de traduções nem sempre felizes, de parte a parte.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; O senhor estava na China em 1989 no episódio da Praça da Paz Celestial. Poderia nos contar como os veículos estrangeiros cobriram aquele fato e por que o rescaldo dele é tão negativo, ainda hoje? Há equívocos que se perpetuam a respeito daquele fato?</strong></p>
<p><strong>Jayme Martins – </strong>Os milhares de jornalistas estrangeiros que haviam ido a Pequim para a visita de Gorbatchov tiveram ampla liberdade para cobrir as manifestações que ocorreram simultaneamente na Praça da Paz Celestial. Eu mesmo fazia isso diariamente, indo até a praça, ouvindo estudantes e outros manifestantes e transmitindo minhas matérias por telex e por para jornais, rádios e tevês do Brasil, sem qualquer censura. É bom lembrar as imagens de TV daqueles acontecimentos são exibidas até hoje, inclusive daquele manifestante que paralisou uma coluna de tanques na avenida central. O rescaldo negativo se deve, sem dúvida, à brutalidade com que se decidiu por ponto final naquelas manifestações que já duravam 45 dias e ameaçavam a estabilidade social em Pequim e em muitas outras cidades. O desenvolvimento multilateral conseguido pela China depois desse lamentável acidente contribuiu para que o mesmo seja considerado, pelos chineses em geral, uma página virada na história recente do País.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; O desenvolvimento econômico vai alterar a maneira como o Governo Central lida com a imprensa estrangeira, no seu ponto de vista?</strong></p>
<p><strong>Jayme Martins – </strong>Não apenas o desenvolvimento econômico, mas a evolução da China em múltiplos aspectos ao longo do processo de Reforma e Abertura dos últimos 35 anos, tem contribuído para que o governo e as diferentes partes da mídia chinesa (agência de notícias, TVs, rádios, jornais, revistas) tenham melhor relacionamento com a mídia estrangeira, o que se reflete cada vez mais na mídia brasileira e de outros países.</p>
<p><strong>IMPRENSA &#8211; Quais foram as maiores dificuldades que o senhor enfrentou na cobertura das manifestações na Praça da Paz Celestial e qual foi o maior aprendizado como correspondente estrangeiro na China?</strong></p>
<p><strong>Jayme Martins – </strong>Tivemos dificuldades somente depois da repressão, pois o terminal de telex foi ocupado pelo Exército e, como não dispúnhamos de fax nem internet, passamos a transmitir tudo oralmente por telefone, inclusive para a mídia impressa. Além disso, os meios de comunicação que, até então, faziam uma cobertura bastante aberta dos acontecimentos, passaram a transmitir apenas a versão oficial, o que, em geral, deixava de corresponder aos fatos. Essa aventura jornalística do outro lado do mundo foi para mim um aprendizado extraordinário, tendo me desdobrado durante mês e meio, dia e noite, de bicicleta, tratando de corresponder ao que esperavam de mim alguns dos mais importantes meios de comunicação de nosso País, o que me valeu o Grande Prêmio de Jornalismo “Líbero Badaró”, outorgado pela Revista IMPRENSA e ABI.</p>
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		<title>Relatório do Senado: o que pensam os EUA sobre a China</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 01:44:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leia aqui do relatório do Senado dos EUA – “China&#8217;s propaganda and influence operations, its intelligence activities that target the United States, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leia <a title="Relatório do Senado" href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/07/09_04_30_trans.pdf" target="_blank">aqui</a> do relatório do Senado dos EUA – “China&#8217;s propaganda and influence operations, its intelligence activities that target the United States, and the Resulting impacts on U.S. national security” – sobre as estratégias de comunicação e propaganda da China.</p>
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		<title>Um sol no inverno</title>
		<link>http://www.imperiodomeio.com.br/bastidores/um-sol-no-inverno/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 16:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[Sheryl Hu é a síntese de uma nova China que emerge da tradição, dos difíceis anos do regime e dos tempos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sheryl Hu é a síntese de uma nova China que emerge da tradição, dos difíceis anos do regime e dos tempos de prosperidade e ambição econômica. Ela é a mestiçagem de espíritos complementares – às vezes conflituosos – que atravessam as novas gerações de chineses que hoje representam o presente e o futuro do país. Chegamos a ela por meio da adorável descrição feita pela jornalista Sonia Bridi em seu livro “Laowai” (Ed. Letras Brasileiras) e de uma indicação feita pela ex-correspondente da Rede Globo em Pequim, por e-mail.</p>
<p>Nosso primeiro encontro, depois de uma rápida troca de mensagens e recomendações antes da viagem (“tragam roupas pesadas, estamos com menos de 10 graus negativos”), aconteceu no saguão do hotel em um próspero bairro comercial de Pequim. Ao vê-la ao longe, já sorrindo em minha direção, senti o conforto necessário a quem havia acabado de enfrentar a burocrática e estressante alfândega chinesa. Era como uma inesperada e jovem mãe de duas crianças – a fotógrafa Pya Lima e eu – em um mundo um tanto ameaçador. Ela, então, disse: “Está tudo bem”. E ficou bem, como prometeu.</p>
<p>A família de Sheryl Hu, considerada burguesa durante a Revolução Cultural, perdeu os bens e amargou as dificuldades dos anos mais sombrios do regime maoísta. A pequena loja, a casa, a liberdade, tudo lhes foi tirado, menos o orgulho chinês e o inseparável senso de oportunidade e esforço, este, responsável por fazer de Sheryl uma das mais conhecidas intérpretes e auxiliares de jornalistas brasileiros na China, em meio a tantos profissionais, competentes na arte da tradução, mas formais demais e jornalísticos de menos. Sheryl entende o timing da atividade, o cheiro da pauta e transforma o ofício em uma alegria sempre inesperada. “Sheryl, me diga o que eu nunca poderei perguntar a uma fonte chinesa”, peço a ela em nosso primeiro jantar. “Diga o que quiser”, ela explica, antes de pôr na boca uma colher de sopa, “eu traduzo apenas o que for permitido”, complementa.</p>
<p>Certa madrugada, ainda em Pequim, recebo de Sheryl um e-mail “Você tem cinco minutos para uma canção de Sheryl?”. Anexada, a música “Rio na primavera”, de 3 minutos e 51 segundos, interpretada por ela, também cantora. Está em meu iPod e tem sido, desde então, a maneira mais rápida de voltar a Pequim.</p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>Abrir a janela</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 04:25:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[(Rodrigo Manzano, de Pequim) Para quem vive de palavras, a China pode ser um tormento. Nossa adorável intérprete, Sheryl Hu, não chegou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/uploads/2010/01/IMG_20711.jpg" alt="" title="" width="300" height="200" class="alignright size-medium wp-image-67" /><strong>(Rodrigo Manzano, de Pequim)</strong> Para quem vive de palavras, a China pode ser um tormento. Nossa adorável intérprete, Sheryl Hu, não chegou a reclamar, mas achava engraçado um estrangeiro tão interessado em tudo o que pudesse ser lido. De manchetes de jornal a anúncios de promoção. A diferença nos faz sentir um pouco cegos, surdos e mudos e, certamente, um bocado analfabetos. De mim, isso exigiu uma nova abordagem na apuração e da Sheryl, reconheço, bastante paciência.</p>
<p>Um dia nos perdemos, apesar das anotações em chinês feitas pela Sheryl para mostrarmos ao taxista. Diante de uma placa de trânsito numa esquina movimentada, parei e comparei os caracteres do meu bloco de anotações com os da placa. Em vão. O mesmo se passa para entender a China. Às vezes e por alguns momentos, é preciso abandonar as referências. Elas são inúteis. Certa vez, o poeta mexicano Octávio Paz escreveu que só é possível contemplar o oriente por meio de uma janela. Se ele estiver certo, nesses 15 dias o máximo que conseguimos foi abrir a janela.</p>
<p>Politicamente, a China parece mais arejada do que se apregoa. Muitos falam desses novos ares como uma herança dos jogos Olímpicos, em 2008. Fomos abordados apenas uma vez por um guarda, quando a Pya fotografava uma velha senhora descansando, sentada ao chão da Praça da Paz Celestial. Aparentemente, não há perguntas proibidas. Mesmo diante de temas delicados, os chineses são afáveis, mas insistem que o ocidente não se esforça para entendê-los.</p>
<p>O que levaremos da China, além de bugigangas, é uma experiência que nos desafiou como nunca, em vários sentidos. Por enquanto, abrimos a janela.</p>
<p>P.S. Esse é o nosso último post em território chinês. No entanto, outros textos serão publicados aqui nos próximos dias e nas próximas edições da Revista IMPRENSA.</p>
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		<title>Três mil e quinhentos cliques depois</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 04:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[(Pya Lima, de Pequim) Na capital do império do meio, a unanimidade dos olhos puxados raramente é quebrada. Eu não contribuí para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<a href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/post_pya/interna.jpg" title="Manzano e Pya Lima, em foto de R$ 2,50, na Praça da Paz Celestial." class="thickbox" rel="singlepic230" >
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</a>
<strong>(Pya Lima, de Pequim)</strong> Na capital do império do meio, a unanimidade dos olhos puxados raramente é quebrada. Eu não contribuí para isso, afinal, descendo de japoneses, mas o editor, Rodrigo Manzano, foi um contraste ambulante durante todo o tempo. Não apenas pelos olhos ocidentais, mas por medir o dobro da estatura média nacional e ter muito, mas muito mais pelos que os pequineses. Nosso homem das neves tropical recebeu inúmeros pedidos para ser fotografado. Tenho, pelo menos, uma dúzia de provas irrefutáveis que registraram o exato momento.</p>
<p>Aos fotógrafos, amadores ou não, recomendo que evitem piscar na China. Uma fração de segundo é tempo suficiente para que tudo se transforme. Para os olhos de quem fotografa, tamanha velocidade é misto de frenesi, agonia e deleite. Frenesi pelas possibilidades, agonia pelas imagens perdidas e deleite pelas capturadas. Temperaturas de até dezoito graus negativos, além do meu dedo indicador direito, congelaram três mil e quinhentos instantes eternizados em pixels.</p>
<p>O orgulho de pais e mães chinesas ao verem seus filhos fotografados por uma laowai (estrangeira) é impagável. Por outro lado, idosos são refratários à máquina. Executivos locais, como no Brasil, também se sentem reféns de quem os fotografa. Uma de nossas entrevistadas, da China National Radio, cochichou ao pé do meu ouvido: “Sempre trato bem os fotógrafos, quero sair bem na foto. Você percebeu que eu não parei de sorrir pra você nem por um instante?”. Concordei sem pestanejar. No mais, a Grande Muralha sempre estará à disposição de quem quiser clicá-la.</p>
<p>Deixo Beijing sem querer deixar, já  com saudades daqueles que, além de imprimir, também plastificam a foto tirada na Praça da Paz Celestial em frente à Cidade Proibida. Manzano e eu nos rendemos, pagamos 10 yuans (aproximadamente R$ 2,50) pela nossa e revelamos, agora só falta plastificar.</p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>O verdadeiro Grande Salto Adiante</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 03:53:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
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Distante quase 200 quilômetros de Pequim, ao noroeste da China, está Zhang Jia Kou, cidade que se transformou, literalmente, em canteiro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellpadding="5" width="224" align="right">
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<tr>
<th align="right" valign="top" scope="row">
<a href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/imperio/IMG_4805 - Galera.JPG" title="Senhora caminha por região entre obras." class="thickbox" rel="singlepic188" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/cache/188__214x143_IMG_4805 - Galera.JPG" alt="" title="" />
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</tr>
<tr>
<th align="right" valign="top" scope="row">
<a href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/imperio/IMG_4782 - Material.JPG" title="Em obras: cidade de Zhang Jia Kou estão sendo demolida para construção de novos edifícios." class="thickbox" rel="singlepic187" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/cache/187__214x143_IMG_4782 - Material.JPG" alt="" title="" />
</a>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Distante quase 200 quilômetros de Pequim, ao noroeste da China, está Zhang Jia Kou, cidade que se transformou, literalmente, em canteiro de obras. O Governo Central e a iniciativa privada estão pondo abaixo todos os edifícios e antiga infra-estrutura para reconstruí-los e não há lugar que não se encontre uma grua, uma parede subindo, um operário da construção civil. Depois de 15 dias em Pequim, a palavra “desenvolvimento” nunca nos pareceu tão clara quanto em Zhang Jia Kou.</p>
<p>No lugar das ideias que perduraram durante os primeiros 30 anos da fundação da República Popular da China, em 1949, estão tomando corpo outras novas, pós-Reforma e Abertura por Deng Xiaoping, no final dos anos 1970. Diferentemente do que podemos imaginar, no entanto, essas mudanças não emergem imediatamente. Assim como em Zhang Jia Kou, o velho e o novo estão juntos, à distância, às vezes, de apenas uma rua estreita.</p>
<p>Essas contradições da China são justamente sua face mais complexa para os olhos ocidentais, inclusive para o jornalismo. À esquerda, muitos dos valores socialistas alimentam o ideal de uma nova China. À direita, o mais completo desprendimento e um olhar para o futuro que faz o Brasil parecer um intruso na festa do tão propalado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China, os países emergentes na economia internacional).</p>
<p>A velha cidade descendo e uma nova surgindo é a mais eficiente metáfora do que se passa na China contemporânea, seja no plano material, seja no campo das ideias.</p>
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		<title>Aviso aos leitores</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 00:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos dias, o blog “No meio do Império do Meio” esteve instável e, em alguns momentos, fora do ar. Pedimos desculpas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos dias, o blog “No meio do Império do Meio” esteve instável e, em alguns momentos, fora do ar. Pedimos desculpas aos leitores e comunicamos que nossa equipe está atenta a futuros inconvenientes.</p>
<p style="text-align: right;">No meio do Império do Meio</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Afinal, o que eles querem?</title>
		<link>http://www.imperiodomeio.com.br/midia/afinal-o-que-eles-querem/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 02:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os chineses, é muito fácil entender, querem apenas duas coisas: estabilidade e desenvolvimento. É impossível entender a mídia e o jornalismo chinês [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<a href="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/imperio/IMG_4157.JPG" title="Escultura que reproduz jornais históricos chineses, na sede da All-China Journalists Association." class="thickbox" rel="singlepic172" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.imperiodomeio.com.br/wp-content/gallery/cache/172__320x214_IMG_4157.JPG" alt="" title="" />
</a>
Os chineses, é muito fácil entender, querem apenas duas coisas: estabilidade e desenvolvimento. É impossível entender a mídia e o jornalismo chinês sem levar em conta esse objetivo final de todo e qualquer passo que os chineses tomam. Desde o dia 11, fizemos mais de 20 entrevistas com líderes dos meios de comunicação, pesquisadores e professores e as duas palavras mais repetidas em todas as entrevistas foram essas duas.</p>
<p>Se foi fácil entender os objetivos chineses para seu país, difícil é compreender, à primeira vista, porque o jornalismo aqui ainda é tão refratário à abertura completa e aos valores plenos como liberdade de imprensa, tal qual nós a entendemos no ocidente. Principalmente porque ao serem perguntados se a imprensa é livre, os chineses respondem: “claro”. Se perguntamos se a China é um país democrático, eles dizem “sim”. Hipóteses: ou eles mentem, ou não podemos entendê-los. A correta, na verdade, vem a ser uma terceira, muito mais complexa. Os chineses, ao procurar ao todo custo o desenvolvimento e a estabilidade, construíram uma rede de pequenos nós que os levam aos seus objetivos. A mídia é um destes nós. Eles têm, segundo os cálculos, mais duas décadas para desfazer todos eles. Uns nós serão desfeitos antes. Outros, depois. A liberdade plena de imprensa será um dos últimos. Eles não têm pressa, ainda.</p>
<p>Por um lado, achávamos que a situação seria muito mais sombria. A mídia chinesa está solar, iluminada pelo otimismo e pela reforma e abertura econômica que se iniciou com o presidente Deng Xiaping, entre os anos de 1978 e 1992. Trinta anos depois, os chineses reconhecem os erros e acertos do regime e entendem que todo sofrimento e todas as restrições impostas ao povo eram necessárias para atingir o estágio atual.</p>
<p>Ao contrário do que imaginávamos, “liberdade de imprensa” não é uma palavra proibida na China. Liberdade de imprensa é um objetivo estratégico. Por ora, alguns jornalistas continuam presos e muitos temem a mão pesada do intervencionismo estatal na mídia. Por outro, todos os veículos reconhecem e se esforçam para abrir suas páginas e seu tempo para essa Nova China que emerge, hoje. O slogan continua o mesmo: “trabalhamos para o povo”, mas o espírito é outro. “Trabalhar para o povo”, no sentido chinês, é reportar aquilo que interessa ao povo no seu sentido mais prático e menos ideológico. Incluindo, aí, notícias sobre corrupção no governo, deficiências no atendimento social e público e análises de conjuntura. Trabalhar para o povo significa não permitir que o desenvolvimento e a estabilidade sejam ameaçados por questões menores.</p>
<p>Pode não parecer uma imprensa livre. Mas também não nos parece uma imprensa censurada. É uma imprensa chinesa.</p>
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		<title>O futuro do jornalismo e os jornalistas do futuro</title>
		<link>http://www.imperiodomeio.com.br/midia/o-futuro-do-jornalismo-e-os-jornalistas-do-futuro/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 03:58:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Império do Meio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje (20) fomos à Universidade de Pequim para entender um pouco mais como é o processo de formação dos jornalistas e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje (20) fomos à Universidade de Pequim para entender um pouco mais como é o processo de formação dos jornalistas e o que eles esperam do futuro da mídia chinesa. Ali, encontramos a estudante He Zheng Zheng, de 23 anos, e Fang Kun, de 26. Ambos estudantes de jornalismo na Universidade de Pequim. Eles não têm respostas oficiais: perguntados sobre o que acham importante mudar no jornalismo chinês, não titubeiam. “Os mecanismos de censura e controle”, diz He Zheng Zheng. “O jornalismo pode ajudar o país a se comunicar melhor com o povo”, afirma Fang Kun, cuja família é da região do Tibet. </p>
<p>Fang e He Zheng serão os jornalistas da liderança na mídia daqui a 20 anos, tempo que eles esperam para que os processos democráticos e de abertura da política chinesa estejam completos. Essa geração, que cresceu sob a influência da internet, acredita que a rede mundial de computadores vai forçar o governo a rever várias de suas posições. “O governo não consegue pará-la”, afirma He.</p>
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