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O verdadeiro Grande Salto Adiante

Distante quase 200 quilômetros de Pequim, ao noroeste da China, está Zhang Jia Kou, cidade que se transformou, literalmente, em canteiro de obras. O Governo Central e a iniciativa privada estão pondo abaixo todos os edifícios e antiga infra-estrutura para reconstruí-los e não há lugar que não se encontre uma grua, uma parede subindo, um operário da construção civil. Depois de 15 dias em Pequim, a palavra “desenvolvimento” nunca nos pareceu tão clara quanto em Zhang Jia Kou.

No lugar das ideias que perduraram durante os primeiros 30 anos da fundação da República Popular da China, em 1949, estão tomando corpo outras novas, pós-Reforma e Abertura por Deng Xiaoping, no final dos anos 1970. Diferentemente do que podemos imaginar, no entanto, essas mudanças não emergem imediatamente. Assim como em Zhang Jia Kou, o velho e o novo estão juntos, à distância, às vezes, de apenas uma rua estreita.

Essas contradições da China são justamente sua face mais complexa para os olhos ocidentais, inclusive para o jornalismo. À esquerda, muitos dos valores socialistas alimentam o ideal de uma nova China. À direita, o mais completo desprendimento e um olhar para o futuro que faz o Brasil parecer um intruso na festa do tão propalado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China, os países emergentes na economia internacional).

A velha cidade descendo e uma nova surgindo é a mais eficiente metáfora do que se passa na China contemporânea, seja no plano material, seja no campo das ideias.

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Equipe

Rodrigo Manzano é jornalista e Diretor Editorial da IMPRENSA, onde atua desde 2001. É também professor de graduação e pós-graduação de Jornalismo em São Paulo.

Pya Lima é fotógrafa desde 2000 e colaboradora da Revista IMPRENSA desde 2007. Já atuou em fotografia de cinema, artes cênicas e espetáculos musicais.

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